Possibilidades de coexistência: agricultura orgânica e transgênicos
O cultivo de milho geneticamente modificado provocou uma drástica redução nos cultivos orgânicos do grão e está fazendo a sua coexistência praticamente impossível. Esta é a principal conclusão de um dos primeiros estudos de campo na Europa realizado por uma pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona, que analisou a situação na Catalunha e Aragão, principais produtores europeus de alimentos transgênicos.
O estudo foi realizado pela pesquisadora Rosa Binimelis da UAB Instituto de Meio Ambiente Ciência e Tecnologia. Binimelis está trabalhando no projeto europeu ALARME (Avaliação de Riscos para a Biodiversidade com Métodos Testados) que analisa a aplicação do conceito da coexistência entre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e a agricultura orgânica na União Europeia. Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Agricultural and Environmental Ethics.
O cultivo GM foi introduzido, cercado de polêmica, em Espanha em 1998, evoluindo nos últimos anos para um debate sobre o conceito da coexistência entre transgênicos e a agricultura orgânica. Este conceito foi introduzido em 2002 pela Comissão Européia com dois objetivos: lidar com as preocupações derivadas da mistura de culturas diferentes, uma vez que agricultores orgânicos se comprometem a não utilizar organismos geneticamente modificados, e para levantar a atual moratória “de facto ” na Europa, permitindo a introdução de novas cultivares transgênicas. A Comissão Européia deve avaliar neste ano como a política da coexistência foi implementada nos últimos dez anos.
A pesquisadora Rosa Binimelis analisou a situação na Catalunha e Aragão, onde o cultivo comercial de transgênicos começou em 1998. Esta pesquisa é, portanto, original e especialmente relevante para a avaliação da Comissão Européia, agendada para este ano e envolveu técnicas qualitativas, por meio de 51 entrevistas com 22 agricultores, e o restante realizado com representantes governamentais, cientistas, acadêmicos, bem como membros de ONGs.
A análise da autora revela um confronto entre defensores e opositores da tecnologia transgênica, com relação às conseqüências que poderiam ter as medidas a serem tomadas, vis a vis a regulação e assumir responsabilidades em eventuais casos de misturas. O confronto também existe quando se tenta definir medidas técnicas que garantam a coexistência pois existem muitas dúvidas sobre os seus objetivos. Finalmente, o estudo analisa as dificuldades que enfrentam os agricultores orgânicos para reivindicar compensações se mistura ocorrer, devido às incertezas técnicas na medição do nível de “contaminação” ou a sua origem.
Dado este contexto, a pesquisa conclui que tanto o conceito de convivência e de propostas de implementação diferentes geraram novos problemas ao invés de resolver os conflitos existentes.
fonte: 30 de junho de 2008, Universitat Autònoma de Barcelona
Estudo de campo na Europa, realizada por uma pesquisadora do Instituto de UAB da Environmental Science and Technology
fonte: Alpha Galileo Org.