Agroecologia transforma vida de agricultor
Agroecologia transforma vida de agricultor familiar em Jussara/BA
“Agroecologia? É vida e saúde”, responde de imediato o agricultor Aderlan Alves Brasileiro. Em meio a sua roça, cercado por fileiras e canteiros de tomate, cebola, coentro, pimentão, alface, repolho, cenoura e outras tantas hortaliças e olerícolas, é fácil perceber a vida saudável brotando da terra. O agricultor, do povoado de Larga do Elói, no município de Jussara, é referência em toda a região na produção de alimentos orgânicos. Há nove anos ele apostou na agroecologia e hoje colhe os benefícios nas finanças e na saúde de toda sua família.
A agroecologia é uma proposta de cultivo para agricultura familiar que defende técnicas e formas de plantio em harmonia com o meio ambiente. Com uma abordagem que agrega saberes populares e tradicionais, a agroecologia permite a recuperação da fertilidade dos solos sem o uso de fertilizantes minerais, assim como o cultivo sem o uso de agrotóxicos. Acima de tudo, a agroecologia prega uma agricultura sustentável, assegurando a preservação do solo, dos recursos hídricos, dos ecossistemas naturais, e, por consequência, garantindo a segurança alimentar da unidade familiar rural.
Aderlan, sua esposa, Luciene, e seus sete filhos, são exemplos de como a adoção do cultivo de orgânicos promove a melhoria da qualidade de vida para as famílias rurais. Quando voltou de São Paulo, há nove anos, o agricultor resolveu investir na agroecologia, pensando em agregar valor à produção. Nos três primeiros anos, sentiu um progresso tímido. Foi somente depois de fazer um curso, através da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A (EBDA), que o cultivo dos produtos orgânicos de Aderlan deslanchou. “Estava precisando de orientação; o curso da EBDA foi uma luz, foi quando aprendi a importância da agroecologia e como podia fazer as coisas darem certo”, afirma o agricultor.
A técnica da EBDA, Stelina Vasconcelos, que acompanha o trabalho com Aderlan, explica que existem muitos agricultores que buscam a agricultura orgânica porque já perceberam os malefícios causados pelo uso de agrotóxicos. “A agroecologia, além de ser uma alternativa para a produção de alimentos mais saudáveis, é também uma saída para o agricultor não ser explorado, pois ele assume um papel fundamental na cadeia produtiva, administrando ele mesmo a comercialização dos seus produtos, não dependendo do atravessador para o escoamento de sua produção”, afirma a técnica.
Para Aderlan Brasileiro, o cultivo dos alimentos convencionais chega a ser irracional. “Quando você usa agrotóxico, a sua saúde, a da sua família e a de quem vai consumir o alimento ficam prejudicadas. Além disso, a terra se desgasta mais fácil, você gasta muito mais e vende o produto por menos, não tem lógica”, explica o agricultor. “Nunca falta alimento na minha casa e eu não gasto nada fazendo feira. Chego a vender meus produtos por cerca de 50% a mais do que os convencionais, mas quando agricultores me procuram, vendo por um preço bem mais em conta, para que todos tenham acesso a um alimento de qualidade”, completa Brasileiro.
Atualmente, Aderlan está inserido no projeto de pesquisa-ação realizado pelo Pacto Federativo estabelecido entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, através da EBDA, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB). O agricultor desempenha o papel de Pesquisador Local, difundindo os saberes agroecológicos na comunidade e cedendo a sua propriedade para ser utilizada como uma unidade de pesquisa e difusão tecnológica.
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Fonte: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA).
